Ansiedade na terceira idade



Todo idoso parece ser ansioso. A ansiedade é um sentimento, de certa forma, útil. A ansiedade é uma sensação de alerta, que permite ao indivíduo ficar atento a um perigo eminente e tomar as medidas necessárias para lidar com a ameaça. Sem ela estaríamos vulneráveis aos perigos.
A ansiedade normal é uma sensação difusa, desagradável, de apreensão, acompanhada de várias sensações físicas: mal estar epigástrico, dor pre-cordial, taquicardia, sudorese, dor de cabeça, tosse sêca, azia, ansia de vômito, vontade de urinar, etc. O desconforto aumenta com o sentimento de vergonha: “meu nervosísmo não me deixa realizar as tarefas”, “sou um fracasso”.
Em muitos casos a ansiedade de “defesa” passa para ansiedade patológica, a chamada Transtorno de Ansiedade Generalizada, que é um quadro ansioso generalizado e persistente, não restrito a qualquer circunstância ambiental. Nestes casos, as queixas são de sentimento crônico de nervosismo, tremores, dores musclares crônicas (especialmente na região do pescoço e nuca), sudorese intensa, insônia, sensação de cabeça leve, tonturas, sintomas cardíacos, pulmonares, gastrointestinais. Um sensação bastante comum são os “pressentimentos” que algo ruim vai acontecer.
O tratamento envolve a terapia cognitivo-comportamental e habitualmente associação com farmacoterapia (benzodiazepínicos). Por ser uma doença crônica, o tratamento é a longo prazo.
A psicoterapia ajuda a adesão ao tratamento, facilitando a utilização de doses menores dos ansiolíticos e a retirada da medicação. Os traços de personalidade do paciente e expectativas irreais sobre o tratamento têm influência negativa nos resultados de longo prazo.
        O tratamento é preferencialmente não farmacológico e consiste em:       
               · Redução dos estímulos
               · Técnicas de relaxamento
               · Aconselhamento psicológico



Depressão no idoso

Entre as principais doenças mentais que atingem os idosos está a depressão. É uma doença freqüente em todas as fases da vida, estimando-se que cerca de 15% dos idosos apresentem alguns sintomas depressivos e cerca de 2% tenham depressão grave. Esses números são ainda maiores entre os idosos internados em asilos ou hospitais.

      Depressão não é apenas uma tristeza passageira, diante de um fato adverso da vida. A pessoa apresenta uma tristeza profunda e duradoura, acompanhada de desânimo, apatia, desinteresse, impossibilidade de
desfrutar dos prazeres da vida. Não se interessa pelas atividades diárias, não dorme bem, não tem apetite, muitas vezes tem queixas vagas como fadiga, dores nas costas ou na cabeça. Aparecem pensamentos "ruins", como idéias de culpa, inutilidade, desesperança; nos casos mais graves podem ocorrer idéias de suicídio.

      As causas da depressão são desconhecidas. Acredita-se que vários fatores - biológicos, psicológicose sociais - atuando concomitantemente levem à doença. Fatores biológicos, como a presença de depressão em outros membros da família podem ser considerados predisponentes, enquanto fatores psicológicos e sociais, por exemplo, perda de um ente querido, perda de suporte social, podem desencadear um episódio de depressão. Sabe-se que na depressão há alterações no equilíbrio dos sistemas químicos do cérebro,
principalmente nos neurotransmissores noradrenalina e serotonina.

      O reconhecimento da depressão no idoso muitas vezes é difícil. Preconceitos em relação à velhice e às doenças mentais dificultam o acesso dos pacientes a um tratamento adequado. Existe a idéia bastante
arraigada de que a depressão é um fato "normal" na velhice. Não é! O idoso não precisa ser  necessariamente triste. Quando alguém fica desanimado e triste por algumas semanas é preciso  levá-lo a um psiquiatra, para uma avaliação especializada, pois pode estar sofrendo de depressão.
Muitas pessoas ainda ficam constrangidas de procurar o psiquiatra, diante da idéia de terem uma doença mental. Por causa desses preconceitos, estima-se que cerca de metade dos pacientes deprimidos fiquem sem diagnóstico e tratamento adequados.

      A depressão é uma doença como outra qualquer, cujo tratamento tem sofrido avanços significativos  nos últimos anos. Medicamentos antidepressivos, que atuam nos neurotransmissores permitem uma
recuperação do equilíbrio químico do cérebro, com a melhora dos sintomas da depressão. Essa recuperação demora algumas semanas, durante as quais o apoio dos familiares é também fundamental.
O acompanhamento psicoterápico permite uma complementação do tratamento medicamentoso, propiciando a recuperação da qualidade de vida do idoso.
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